Já te chamaram de louco, não já?
A mim já. E doeu. De certa forma.
Doeu porque me fez questionar tanta coisa (...)
“Será que eles têm razão?", "Será que não bato mesmo bem da cabeça?", "Será que estou a sonhar demasiado alto?”, "Será que é assim tão descabido sonhar com uma vida fora do padrão?".
Foi um processo longo. Foram anos sem entender. "Porquê a mim?". Questionava-me sobre quem eu era na verdade. Não sabia o que queria ser. Não sabia o que queria fazer. Tudo o que imaginava parecia demasiado surreal para mencionar em voz alta. E então, remeti-me ao silêncio. À confusão mental que vivia e sentia comigo mesma. Sozinha.
Até que... um dia disseram-me algo que me bateu forte: "Deve ser horrível, ter asas grandes para voar, e ter de viver com elas encolhidas para caber num lugar tão pequeno".
E foi aí que eu arrepiei, chorei e senti na pele. As minhas asas estavam fechadas à muito. Sempre tiveram. E no lugar onde eu estava, não as conseguia abrir. Não conseguia voar. E nada me parecia familiar. Porque no fundo, não era. Eu vivia num lugar que não era meu. Uma vida que não era aquela que eu queria para mim.
(...) E eu tinha de parar de me anular para caber.
Então, escolhi ser louca!
Escolhi voar.
Escolhi sair daquele lugar comum.
Decidi descobrir quem eu era.
Pensar na vida que eu queria viver de verdade.
E adivinhem?
Consegui abrir as asas.
E estou a aprender a voar.
Estou a começar a voar.
Trajetos curtos ainda.
Às vezes caio, confesso.
Mas sabem tão bem!
Percebi algo que mudou tudo: ninguém chama de louco a quem vive dentro da caixa.
Chamam de louco a quem ousa sair dela.
E foi aí que entendi que a coragem assusta.
Assusta-nos a nós, quando sentimos o medo a prender-nos ao chão.
E assusta os outros, que não sabem lidar com alguém que decide arriscar.
Porque arriscar expõe.
Expõe falhas, riscos, fracassos… mas também expõe uma força que muitos não têm.
E é mais fácil olhar para ti e dizer “ele é louco” do que admitir em silêncio: “eu nunca teria essa coragem”.
Hoje já não me incomoda.
Aliás, aprendi a gostar desse rótulo.
Se me chamam de louca, é porque tenho capacidade para voar.
É porque não fiquei parada.
É porque estou a provocar desconforto no mesmo sistema que quer que toda a gente seja igual, pense igual, viva igual.
Ser chamado de louco é quase como uma confirmação: “estou no caminho certo”.
E sabes o que é mais engraçado?
O mundo sempre chamou de loucos aos que depois mudaram tudo.
Chamaram de loucos aos que acreditaram quando ninguém acreditava.
Chamaram de loucos aos que arriscaram perder tudo, só para viver de acordo com aquilo que realmente eram.
E no final, esses “loucos” foram os únicos que viveram de verdade.
Prefiro mil vezes ser a louca que arriscou, falhou, levantou-se e tentou outra vez, do que a normal que passou a vida inteira no seu conforto, a perguntar-se “e se?”.
Então deixa-os falar.
Deixa que te chamem o que quiserem.
Louco. Diferente. Estranho. Ovelha negra.
Não há insulto maior do que viver acorrentado ao que os outros acham que tu deves ser.
#0005
10 comments
Simplesmente incrível texto, adorei !! Só pelo simples facto que já senti essa sensação de não caber no espaço onde estava de ter de me encolher e calar para ser aceite.
Eu ainda não ganhei essa coragem de abrir as minhas asas como mencionas, mas sei que estou no caminho certo e a seu tempo, sei que irei calar muita gente !
😮💨🔥
Adorei 🤩
“E Se?” E Se tivéssemos feito? E se tivéssemos arriscado?
Será que dava certo? Só quando não arriscamos é que nunca vamos ter as respostas para essas perguntas. Os outros que falem, que tentem nos espesinhar, rebaixar, sentir que não falemos nada, que somos loucos, é deixá-los falar, eu hoje em dia já nem logo às críticas que me fazem, ou se não acreditam em mim.
Nós temos de ser os primeiros a acreditar em nós! Eles não acreditam, está tudo bem!
Quando os resultados começarem a subresair, todos se calam , e é nesse momento que damos uma ‘chapada de Luva Branca’
Somos loucos? Somos diferentes? Somos estranhos?
Prefiro ter todos estes rótulos, do que ser uma pessoa com um rótulo igual aos outros! ❤️
Chamam-nos loucos porque não compreendem o voo de quem nasceu com asas. Porém, as palavras que tentam aprisionar-nos não passam de correntes forjadas pelo medo alheio. O verdadeiro cárcere não reside nos muros que nos erguem, mas no hábito de encolher as asas para caber em gaiolas que jamais nos pertenceram.
Voar pode implicar quedas, mas permanecer no chão é morrer de sede à beira de um oceano imenso. A loucura não consiste em enfrentar o céu — consiste em recusar tocar as nuvens apenas porque outros optaram por rastejar. 🖤
Gostei muito do que escreveste. Tocou-me porque também já senti essa sensação de não caber no espaço onde estava, de ter de me encolher para ser aceite. E confesso que ainda não encontrei totalmente a coragem para abrir as minhas asas, mas o teu texto fez-me perceber que talvez esse seja o caminho. Obrigado por partilhares algo tão verdadeiro e inspirador — às vezes precisamos mesmo de ser lembrados de que ser chamado de ‘louco’ pode ser, afinal, um elogio
Quando és criança e começas a andar todos batem palmas, e se cais todos te motivam e ajudam a levantar.
Tudo isso muda quando cresces todos criticam e te chamam de louco, pois fazem isso porque eles mesmos não tiveram a coragem de tentar e sair da zona de conforto e então de certa forma querem impedir que outros o façam, que arrisquem.
Por isso aprende a sentir-te confortável com o desconfortável, e nada te fará parar.
O louco… aquele que desafiou o destino e traçou um caminho novo e diferente, que mudou a sua presença no meio de outros tantos apenas para aprender a sobreviver.
Aquele que nunca foi suficiente, aprendeu a entender o seu valor… simplesmente aprendeu a ser autêntico 👁️🗨️
🔥🔥🔥
Depois de ler isto parece que estou a ver o meu próprio reflexo em palavras. Já carreguei esse peso de tentar me adaptar a espaços que nunca foram para mim. Já duvidei, já me calei, já escondi asas que pediam liberdade.
Sem duvida que para mim ser chamado de louco é um elogio disfarçado. É sinal de que não aceitei o normal, o banal como destino. É prova de que tive coragem de ser diferente e acima de tudo ser eu.
É como disseste, Louco. Diferente. Estranho. Ovelha negra. 🖤👁️